Séètétélané, conto bassouto

abril 10, 2011 § Deixe um comentário

Havia um homem extremamente pobre, chamado Séètétélané. Ele não tinha nenhuma mulher. Nutria-se unicamente de ratos selvagens. Seu casaco era feito da pele de ratos selvagens assim como sua ceroula. Um dia ele tinha ido caçar ratos selvagens, achou um ovo de avestruz e disse: “Esse ovo, eu o comerei quando o vento vier de lá”. Ele o guardou no fundo de sua cabana.

No dia seguinte, foi como de costume caçar ratos selvagens. Ao retornar, encontrou pão que acabava de ser assado, yoala que acabava de ser preparado. Foi assim durante vários dias seguidos. Ele dizia: “Séètétélané, será que você realmente não tem uma mulher? Quem, se não uma mulher, teria assado esse pão e preparado o yoala?”

Enfim, um dia, uma jovem saiu do ovo e disse: “Séètétélané, quando você estiver bêbado de yoala, não me chame jamais de filha de um ovo de avestruz.”

A partir desse momento essa mulher se tornou a mulher de Séètétélané. Um dia ela lhe disse: “Você gostaria de ter gente para você?” Ele respondeu: “Sim, eu gostaria.”

Então sua mulher saiu e se pôs a bater com um bastão no lugar onde se jogavam as cinzas. No dia seguinte, acordando, Séètétélané ouviu um barulho bem alto, como o de uma multidão de homens. Ele era agora um chefe e estava vestido com belos casacos de chacal. As pessoas vinham rapidamente em sua direção, de todas as partes gritavam: “Saudação, nosso chefe! Saudação, nosso chefe!”

Todo mundo o saudava assim com respeito. Mesmo os cães se juntavam. Em todo lugar se escutavam os berros dos animais; Séètétélané era o chefe de uma aldeia imensa. Agora ele desdenhava suas peles de rato selvagem; ele só andava vestido com casacos de chacal e, de noite, ele dormia sobre belas esteiras.

Um dia, bêbado de yoala a ponto de não poder se mexer, ele gritou para a sua mulher: “Filha de um ovo de avestruz!”

Sua mulher perguntou: “É você mesmo, Séètétélané, que me chama de filha de um ovo de avestruz? – Sim, eu disse; você é a filha de um ovo de avestruz.”

De noite, ele se deitou bem quentinho nas peles de chacal e dormiu profundamente. No meio da noite acordou e, tateando com as mãos, deu-se conta de que estava deitado no chão nu e que estava coberto com suas antigas peles de rato selvagem, que chegavam com dificuldade até os joelhos; ele estava terrivelmente gelado. Percebeu também que sua mulher não estava mais lá e que toda a sua aldeia tinha desaparecido. Então se lembrou de tudo e gritou: “Desgraça! Que vou fazer? Por que disse a minha mulher: ‘Você é a filha de um ovo de avestruz?’”

Ele voltou a ser um homem extremamente pobre, sem mulher, nem filho. Envelheceu assim, tendo sempre por único alimento a carne dos ratos selvagens e por única vestimenta as suas peles, até a morte.

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